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Comer no piloto automático: por que a distração está mudando a relação com a comida?

Nutróloga Suzana Viana alerta para os impactos das distrações durante as refeições e explica como o excesso de estímulos interfere nos sinais do organismo

Ficar no piloto automático ao assistir vídeos, responder mensagens, trabalhar ou navegar nas redes sociais enquanto come já virou parte da rotina de muita gente. Em meio à pressa e ao excesso de estímulos do dia a dia, a alimentação acaba acontecendo quase sempre acompanhada de outra atividade. Segundo a médica nutróloga Suzana Viana, esse comportamento pode alterar a forma como o corpo percebe fome, saciedade e digestão.

A especialista explica que o cérebro precisa estar minimamente conectado ao momento da refeição para interpretar adequadamente os sinais do organismo.

“A saciedade não acontece de forma imediata. Existe um tempo para que hormônios ligados à fome e à satisfação alimentar atuem e sinalizem ao cérebro que aquela necessidade já foi suprida. Quando a pessoa come distraída e muito rápido, ela tende a ultrapassar esse limite sem perceber”, afirma Suzana.

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Suzana Viana

De acordo com a médica, o uso constante do celular durante as refeições cria uma espécie de “desconexão” entre cérebro e sistema digestivo. Isso porque a atenção fica voltada para o excesso de informações e estímulos da tela, reduzindo a percepção sobre o próprio ato de comer.

“Muitas pessoas terminam a refeição sem lembrar exatamente o que comeram ou em qual quantidade comeram. Essa falta de percepção interfere diretamente nos mecanismos de controle alimentar”, explica.

Além da tendência ao consumo excessivo de calorias, o hábito também impacta a digestão. A nutróloga destaca que mastigar pouco e comer rapidamente sobrecarrega o sistema digestivo, favorecendo sintomas como sensação de estufamento, gases, azia e refluxo.

“A digestão começa na boca. Quando a mastigação acontece de forma inadequada, o estômago recebe partículas maiores de alimento e precisa trabalhar mais para realizar esse processamento”

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Outro ponto importante, segundo Suzana Viana, é o impacto metabólico. Estudos já associam refeições muito rápidas ao aumento da resistência à insulina e a maiores oscilações glicêmicas, o que pode favorecer ganho de peso e aumentar o risco de doenças metabólicas ao longo do tempo. Atualmente, segundo dados do Vigitel, a obesidade atinge cerca de 25% da população brasileira.

Para a médica, pequenas mudanças na rotina já ajudam a melhorar a relação com a alimentação. “Não se trata de transformar a refeição em um ritual perfeito, mas de recuperar presença durante esse momento. Comer mais devagar, mastigar melhor e reduzir distrações permite que o corpo responda de forma mais equilibrada em relação à saciedade e à digestão”, finaliza.

Foto: Magnific

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Sobre o autor

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Gabriela Bandeira é jornalista com mais de 21 anos de atuação no mercado, empresária, Head da Agência Comunicando Ideias e Editora Online da revista Viver Vitória.