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Sede da Academia de Letras da Bahia, em Nazaré, será tombada

Decisão unânime garante proteção jurídica ao centenário Palacete Góes Calmon, sede da ALB, em Nazaré

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (3), o tombamento definitivo do Palacete Góes Calmon. Localizado no bairro de Nazaré, em Salvador, o imóvel centenário serve como sede da Academia de Letras da Bahia (ALB) desde 1983.

A resolução assegura proteção jurídica integral à estrutura física do casarão e ao seu acervo documental e bibliográfico. Com a homologação, que será publicada no Diário Oficial do Estado, ficam proibidas por lei modificações, demolições ou intervenções que descaracterizem a arquitetura original do prédio.

Proteção legal e captação de recursos

O desfecho do processo, iniciado há cinco anos sob a gestão do ex-presidente Ordep Serra, insere o palacete na lista prioritária de editais de fomento geridos por órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A partir de agora, a manutenção do espaço passa a ser uma responsabilidade compartilhada entre a ALB e o Governo do Estado.

História

Erguido entre o final do século XIX e o início do século XX, o casarão apresenta traços marcantes da arquitetura eclética. Conforme levantamento do arquivista da ALB, Bruno Rosário, o imóvel pertenceu inicialmente ao advogado e político Inocêncio Marques de Araújo Góes Júnior. Em 1897, a propriedade foi doada a seu sobrinho, Francisco Marques de Góes Calmon, que viria a governar o estado da Bahia entre 1924 e 1928.

O palacete preserva elementos decorativos e estruturais da época, tais como:

  • escadarias monumentais e painéis de azulejos;
  • jardins laterais e balaustradas;
  • fonte de água, porão e estatuetas ornamentais.

Após permanecer com a família Góes Calmon até 1943, o complexo foi adquirido pelo Estado para abrigar a Pinacoteca e o Museu do Estado, inaugurados em 1946. Entre 1970 e 1983, o local funcionou como sede do Museu de Arte da Bahia (MAB), até ser oficialmente doado à Academia de Letras da Bahia em março de 1983.

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