O ortopedista David Sadigursky explica causas, riscos e como prevenir lesões articulares
Sentir dor no joelho durante ou após os treinos na academia é uma queixa comum e que não deve ser ignorada. Exercícios como agachamentos, leg press, avanços e movimentos funcionais impõem carga significativa à articulação, especialmente quando há erros de execução, aumento abrupto de intensidade ou desequilíbrios musculares.
Embora muitas pessoas associem o desconforto apenas ao esforço do treino, a dor persistente pode indicar sobrecarga ou início de lesão.
Segundo o ortopedista David Sadigursky, especialista em joelho e trauma do esporte, o joelho é uma articulação complexa que depende do equilíbrio entre músculos, ligamentos, cartilagem e meniscos para funcionar adequadamente. Quando há falha na execução do movimento, déficit de força ou progressão inadequada de carga, a articulação passa a absorver impacto além da sua capacidade de adaptação.
Contudo, o médico explica que a adoção de algumas medidas simples ajudam a reduzir significativamente o risco de sobrecarga e lesões articulares.
Confira a seguir:
- Aquecimento adequado: movimentos dinâmicos e progressivos preparam músculos e articulações para receber carga, reduzindo o impacto inicial sobre o joelho.
- Treino de mobilidade: déficits de mobilidade em tornozelo, quadril e coluna lombar podem sobrecarregar o joelho. Trabalhar amplitude de movimento melhora a distribuição de carga e a qualidade da execução.
- Fortalecimento e controle muscular: glúteos, quadríceps, posteriores de coxa e core são essenciais para estabilidade dinâmica. Além da força, o controle neuromuscular e a coordenação reduzem o risco de sobrecarga.
- Progressão gradual de carga: aumentos bruscos de peso ou volume de treino favorecem microlesões cumulativas. O corpo precisa de tempo para adaptação estrutural.
Dor persistente, inchaço, sensação de travamento ou instabilidade são sinais de que a articulação pode estar sofrendo além do esperado. Nesses casos, a avaliação especializada é fundamental para diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Nos quadros em que há inflamação persistente ou lesões específicas, a ortopedia também tem incorporado terapias regenerativas com células mesenquimais como parte do tratamento. Essas células auxiliam na modulação da inflamação e na melhora do ambiente biológico intra-articular.
“É importante destacar que as células mesenquimais não substituem a correção biomecânica nem o fortalecimento muscular, etapas fundamentais do tratamento. No entanto, podem contribuir para otimizar os resultados e acelerar a recuperação em casos selecionados”, explica David.
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