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Dia do Diabetes: especialistas destacam que culinária regional e controle glicêmico são compatíveis

Confira o que dizem especialistas no Dia Nacional do Diabetes

O diagnóstico de diabetes frequentemente gera a falsa impressão de que é necessário abandonar pratos típicos regionais. No entanto, médicas especialistas afirmam que o controle da glicemia não exige a exclusão da identidade cultural ou a perda do prazer na alimentação.

Celebrado em 26 de junho, o Dia Nacional do Diabetes busca conscientizar a população sobre a prevenção e o manejo da doença. Segundo Hanna Andrade Amorim, endocrinologista e professora da Afya Salvador, a data representa uma oportunidade para reforçar a importância de escolhas alimentares simples e acessíveis.

“É totalmente possível controlar a glicemia sem abrir mão da culinária nordestina, desde que exista equilíbrio, planejamento e individualização alimentar. Alimentos tradicionais como feijão, aipim, cuscuz, inhame e frutas regionais podem fazer parte da rotina do paciente, respeitando quantidades, combinações e contexto da refeição. O mais importante é evitar excessos, priorizar alimentos in natura e associar carboidratos a fibras, proteínas e gorduras boas, o que ajuda a reduzir os picos glicêmicos. O tratamento do diabetes precisa ser sustentável e compatível com a cultura alimentar do paciente”, destaca Amorim.

Panorama do diabetes no Brasil e na Bahia

Estimativas do Atlas Global da Federação Internacional de Diabetes (IDF 2025) apontam que 16,6 milhões de adultos vivem com diabetes no Brasil, o que coloca o país na sexta posição do ranking mundial em número de casos. Desse total, cerca de 1,2 milhão de pacientes estão na Bahia.

De acordo com o Ministério da Saúde, o percentual de adultos diagnosticados com a doença no país cresceu 135% entre 2006 e 2024, saltando de 5,5% para 12,9%. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes indicam ainda que aproximadamente 50% das pessoas que têm a condição desconhecem o próprio diagnóstico, fator que eleva o risco de complicações cardiovasculares, renais, visuais e neurológicas.

Combinação de macronutrientes e alimentos tradicionais

Para Ana Paula Publio, professora do curso de Medicina da Afya Guanambi, o controle da elevação glicêmica depende da combinação correta entre os macronutrientes, e não de um alimento isolado.

Em períodos festivos ou no consumo de comidas típicas, a recomendação é estruturar uma refeição completa em vez de fracionar o consumo ao longo do dia de forma desordenada.

Carboidratos tradicionais: Alimentos como inhame e aipim devem ser combinados com fontes de proteínas (ovos ou frango) e fibras (saladas ou feijões).

Frutas sazonais: Itens como cajá, seriguela e manga podem ser consumidos junto a oleaginosas (castanhas e amendoim) para retardar a absorção do açúcar no organismo.

A especialista também ressalta que a ordem de ingestão dos alimentos influencia o impacto glicêmico pós-prandial. A orientação técnica é iniciar a refeição pelas saladas, seguidas pelas proteínas e legumes, deixando os carboidratos por último.

Riscos da substituição por produtos ultraprocessados

A busca por produtos industrializados rotulados como diet ou fit após o diagnóstico é um comportamento frequentemente observado por especialistas, mas que acende alertas. Hanna Andrade Amorim explica que essas opções costumam apresentar custo elevado e qualidade nutricional inferior aos alimentos naturais.

“Muitos desses alimentos possuem alto teor de gordura, sódio, adoçantes, calorias e baixo valor nutricional. Além disso, o fato de um alimento ser “diet” não significa que ele possa ser consumido livremente. Quando o paciente troca comida de verdade por ultraprocessados, pode haver piora do controle glicêmico, ganho de peso, aumento do risco cardiovascular e deficiência de nutrientes importantes. O foco deve ser sempre uma alimentação equilibrada, baseada em comida de verdade, e não apenas no róulo do produto”, pontua a endocrinologista.

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