Queda hormonal afeta o coração antes dos 40 e reforça a importância de prevenção e acompanhamento médico
A menopausa precoce, quando ocorre antes dos 40 anos, pode aumentar em até 40% o risco de doença arterial coronariana ao longo da vida. O dado é de um estudo publicado na JAMA Cardiology e ganha ainda mais relevância diante de um cenário preocupante: no Brasil, mais de 30% das mortes entre mulheres são causadas por doenças cardiovasculares.
De acordo com a cardiologista Carolina Thé, do Núcleo TB, a relação entre menopausa precoce e saúde do coração está ligada à queda dos níveis de estrogênio.
“Esse hormônio tem um papel protetor para o sistema cardiovascular. Quando essa proteção é perdida precocemente, o risco de doenças como aterosclerose e infarto aumenta”
Estimativas indicam que uma mulher morre por infarto a cada 12 minutos, muitas vezes sem reconhecer os sinais, que podem ser diferentes dos apresentados pelos homens. Ao contrário do que se imagina, o infarto feminino nem sempre se manifesta com dor intensa no peito. Sintomas mais sutis são comuns e podem ser confundidos com outras condições, o que atrasa o diagnóstico.
Entre os principais sinais de alerta estão cansaço excessivo fora do habitual, falta de ar (mesmo em repouso ou em atividades leves), náuseas, tontura, mal-estar, dor ou desconforto no peito (mesmo que leve ou em forma de pressão), além de dor que pode irradiar para braços, costas, pescoço ou mandíbula. Suor frio e sensação de ansiedade sem causa aparente também podem estar presentes.
Segundo Carolina, reconhecer esses sinais é fundamental, especialmente entre mulheres com fatores de risco.
“Muitas pacientes chegam tardiamente ao atendimento porque não associam esses sintomas ao coração. Isso pode atrasar o diagnóstico e agravar o quadro”
A cardiologista destaca que sinais como irregularidade menstrual precoce, ondas de calor intensas e alterações hormonais antes da idade esperada não devem ser ignorados.
“A identificação precoce permite monitorar o risco cardiovascular e adotar estratégias de prevenção”
Entre as principais medidas estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do estresse e abandono do tabagismo. “Não é apenas uma questão ginecológica. A menopausa precoce deve ser encarada como um fator de risco cardiovascular importante. Com acompanhamento adequado, é possível reduzir significativamente as chances de complicações”, conclui Carolina Thé.
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