Sessão no MAM inclui debate com pesquisadoras e equipe do documentário sobre memórias e transformações sociais na Chapada Diamantina
Salvador recebe, na sexta-feira (24), a estreia do documentário “Riachão de Jacobina: Memórias, patrimônio e identidades de um lugar”, em sessão especial às 19h, no CINEMAM, no Museu de Arte Moderna da Bahia. Após a exibição, haverá uma roda de conversa com a curadora Izabel Cruz, da Universidade do Estado da Bahia, e a escritora Luciana Brito, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
Com 29 minutos de duração, o curta aborda memórias, identidades e o patrimônio cultural da vila de Itaitu, distrito de Jacobina, na região do Piemonte da Chapada Diamantina. A narrativa reúne depoimentos de moradores de diferentes gerações, compondo um mosaico de histórias que evidenciam tradições e transformações sociais ao longo do tempo.

A produção também discute temas contemporâneos que atravessam o cotidiano local, como gentrificação, homogeneização cultural e questões relacionadas à identidade, religiosidade e ao papel da mulher negra dentro e fora das dinâmicas do turismo. A paisagem natural da região, marcada por serras, integra o conjunto de elementos que definem a identidade do território.
O documentário tem argumento de Liani Sena e direção compartilhada entre Jorge Itaitu, Marcos Bokapiu, Andrea Duarte e Momó Abreu. Com caráter educativo, a obra foi pensada para dialogar com estudantes e o público em geral, estimulando reflexões sobre pertencimento, memória e preservação cultural.

Marcos Bokapiu destaca o processo coletivo de produção e sua relação com o território retratado. “O projeto é uma experiência coletiva de fazer filme, e a minha atuação começa como pesquisador da história local, mas também com o olhar de alguém pertencente ao território. Foi uma atuação muito rica, de muito aprendizado”, afirma.
Segundo ele, a exibição na capital amplia o alcance das narrativas locais. “A mostra em Salvador é importante porque essas vozes da Chapada precisam ser ouvidas para além da Chapada. Acho que temos pensado muita coisa valiosa dentro desses lugares distantes dos grandes centros”, diz.
Historiador com passagens pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade Federal da Bahia, Bokapiu também atua no campo das artes desde os anos 1980. Atualmente, coordena o projeto CINEMANDO, iniciativa de extensão da UNEB que articula cinema e literatura, com foco em obras cobradas em vestibulares e no Enem.

Integrante de um movimento criativo emergente na Chapada Diamantina, o diretor afirma que novas produções estão em desenvolvimento, incluindo uma série em parceria com o ator Fabrício Boliveira, ambientada no século XIX e centrada em personagens negros no período pós-escravidão.
O projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG), com financiamento do Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Cultura, e apoio do Ministério da Cultura.
Créditos das fotos: Bokapiu




