Diretora pedagógica destaca que o excesso de estímulos e consumo pode comprometer experiências fundamentais na formação das crianças
A importância do brincar na infância tem ganhado cada vez mais espaço nas discussões sobre desenvolvimento infantil, especialmente diante de um cenário em que estímulos excessivos e o consumo precoce vêm alterando a forma como as crianças se relacionam com o mundo.
Mais do que um simples passatempo, o brincar é reconhecido como uma atividade essencial para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social. Estudos na área do comportamento já apontaram que a privação desse tipo de experiência em fases importantes da infância pode gerar impactos como aumento do estresse, dificuldade na resolução de conflitos e até comportamentos mais agressivos.

Para Clara Coelho, diretora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Miró, o cenário atual revela um paradoxo: crianças cercadas por brinquedos, mas com dificuldade de brincar de forma espontânea.
Segundo a especialista, o problema não está na quantidade de recursos disponíveis, mas na forma como eles são utilizados. “O que a gente vê é que, a relação que as crianças têm estabelecido com os brinquedos, que são esses brinquedos que estão na praça, é uma relação de coleção. As crianças vão colecionando. É unicamente o movimento do ter. A relação que as crianças estão estabelecendo, interativa, com esse brincar é de quem não sabe brincar. Então as crianças, quando vêm pra escola, elas aprendem também a brincar”, explica.
Essa mudança de comportamento está diretamente relacionada a uma lógica mais voltada ao consumo do que à vivência, reduzindo o espaço para a criatividade e para a construção de experiências significativas.

O papel da escola no desenvolvimento infantil
Diante desse contexto, o ambiente escolar assume um papel ainda mais relevante. Instituições de ensino têm buscado ressignificar o brincar como parte central do processo educativo, deixando de tratá-lo como um momento secundário na rotina das crianças.
No Colégio Miró, essa perspectiva é incorporada à proposta pedagógica, que entende o brincar como uma ferramenta de aprendizagem. A atividade contribui para o desenvolvimento da coordenação motora, da cognição, da afetividade e das habilidades sociais.
A abordagem também valoriza a construção de vínculos e a interação entre as crianças, aspectos fundamentais para uma formação equilibrada.

Além das práticas voltadas ao universo lúdico, a escola também integra conteúdos atuais ao cotidiano dos alunos. Em atividades pedagógicas, estudantes do 2º ano têm contato com temas como o funcionamento de computadores e a importância do descarte correto de equipamentos eletrônicos.
A proposta amplia o repertório das crianças, conectando aprendizado e realidade, sem abrir mão da leveza e da experimentação que caracterizam a infância.
Já a pedagoga e empresária, Mariana Pedreira, acredita que um dos desafios contemporâneos está nas expectativas projetadas sobre as crianças. Muitas famílias, na tentativa de preparar os filhos para o futuro, acabam priorizando resultados e desempenho.
“Se a gente pensa enquanto pais, que querem muita garantia de que estão investindo para que seus filhos sejam adultos produtivos, que sejam pessoas que tenham autonomia, e que possam viver com independência, a gente vai vendo uma contramão. Porque a gente está vendo, a diminuição do tempo de brincar livremente dessas crianças. Está se investindo numa coisa que não está correspondendo”, afirma Mariana.

Ao reconhecer o brincar como linguagem e ferramenta de desenvolvimento, iniciativas como a do Colégio Miró contribuem para uma formação mais completa — em que aprender e se desenvolver caminham juntos desde os primeiros anos de vida.
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