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Autora de Bridgerton, Julia Quinn fala sobre mudanças na série e critica censura literária

Escritora de Bridgerton concedeu entrevista exclusiva à Viver Vitória e, em painel na Bienal do Livro Bahia 2026, criticou censura literária nos EUA

Imagine escrever algo por anos, criar um universo, uma família, histórias… e depois abrir mão dos direitos criativos desse trabalho. Pode parecer quase impossível para alguns, mas não para a escritora norte-americana Julia Quinn. 

Ao saber que a renomada produtora Shonda Rhymes (Grey’s Anatomy, Scandal, How To Get Away With Murder, entre outros) se interessou em adaptar seu trabalho, a resposta não poderia ser mais direta: “sim”.

“Era a oportunidade de uma vida”, explicou Quinn em entrevista exclusiva à Viver Vitória.

E o “fator” Shonda pesou bastante: “Não vou ensiná-la a fazer televisão. Ela sabe o que está fazendo. Vou deixá-la fazer sua mágica. E eu queria fazer o possível para ajudar”, complementou.

A escritora – cujos livros figuraram 19 vezes na lista de best-sellers do New York Times – marcou presença na Bienal do Livro Bahia, no sábado (18), onde participou de um painel e viu, de perto, uma legião de fãs.

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Fãs lotaram espaço na Bienal para assistir a painel com Julia Quinn | Foto: FilmArt

Na conversa com a jornalista Juana Castro, ainda na Sala dos Autores do evento, ela comentou sobre como se sente a respeito de mudanças na série em relação aos livros, especialmente a troca do personagem Michael (livro) por Michaela (série). Falou ainda sobre a influência do pai – o também escritor Stephen Lewis Cotler -, e ouviu, até, uma sugestão de música com DNA baiano para a trilha sonora de Bridgerton (não custa nada sonhar).

Confira a entrevista completa:

Viver Vitória (VV): Oi, Julia! É um prazer está aqui com você. Antes de tudo, não é a sua primeira vez em Salvador, certo? Quais são suas impressões até agora?

Julia Quinn (JQ): Isso. Estive aqui há uns dez anos. Ah, é tão bonito! Primeiro que estou sentada aqui na sala dos autores e há o oceano bem ao lado. Acho que nunca estive numa assim antes. É tão maravilhoso e estou perto do oceano.

VV: Como é a sua relação com os fãs brasileiros?

JQ: Os fãs brasileiros são os melhores! São tão enérgicos, animados e adoráveis. Mesmo antes da série sair… Eu diria que, depois dos Estados Unidos, o Brasil já tinha a maior base de fãs e é realmente maravilhoso estar de volta.

VV: Bridgerton virou um sucesso global, e com Shonda Rhymes (na produção executiva)… Como é que você está envolvida na série?

JQ: Não estou muito envolvida, na verdade. Quando me procuraram, a primeira pergunta que Hollywood faz é: ‘você está disposto a desistir do controle criativo?’ e eu disse ‘sim’. Principalmente por causa de Shonda Rhymes. Bom… Eu não vou ensinar Shonda Rhymes como fazer televisão. Ela sabe o que está fazendo. Vou deixá-la fazer sua mágica. Mas também foi, realmente, uma oportunidade única na vida. E eu queria fazer tudo o que pudesse para ajudar, então disse: ‘pode fazer’.

VV: Aproveitando, os fãs estão tendo algumas discussões por causa de algumas mudanças na série em relação aos livros, como de Michael pra Michaela. Como você se sente em relação a isso e o que gostaria de dizer a eles?

JQ: Gostaria de dizer que, sabe… os livros nunca vão mudar. Se vocês amam Michael a amam a história dele, isso me deixa muito feliz, mas os livros estarão sempre lá. Acho que o mais importante dessa história foi em relação aos sentimentos deles [personagens], de luto e culpa. E acho que não há razão para que não possa acontecer em uma história de amor entre duas mulheres. Amo que Bridgerton está deixando mais e mais pessoas se verem nas histórias que têm finais felizes, então eu apoio.

VV: A série sempre abraçou a diversidade, assim como Shonda (costuma fazer em outras produções).

JQ: Sim, sim.

michaela francesca bridgerton

Michaela (Masali Baduza) e Francesca (Hannah Dodd) em cena da 4ª temporada de Bridgerton | Divulgação

VV: Seu pai era escritor. Como foi a sua jornada com essa influência?

JQ: A principal influência foi que eu sempre pensei que poderia fazer isso [ser escritora]. Sei que muitas pessoas querem ser escritores e seus pais dizem ‘não, você precisa ser médico, advogado, fazer faculdade de negócios…’. Eu tive um pai que realmente foi para a faculdade de negócios, mas depois se tornou um escritor, então nunca me ocorreu que ser escritora não era permitido. Sempre senti que tinha esse apoio.

VV: Você é uma defensora dos romances e de ler por prazer, mas pensa em escrever outros estilos de livros?

JQ: Não agora. Eu amo isso. Leio todos os tipos de livros, sou uma leitora muito rápida, mas escrevo devagar. Se eu tiver que escrever outra coisa, não será romance, e eu ainda gosto muito de romance. Vou ficar com ele.

VV: Acho que você está indo muito bem (risos).

VV: Você conhece algum autor ou literatura brasileiros?

JQ: Eu conheci alguns, mas não vou lembrar o nome agora…

VV: Tudo bem…

VV: Para encerrar, gostaria de sugerir algo. Acho que está na hora de termos uma música brasileira na série Bridgerton.

JQ: Gostaria de poder ajudar, mas não tenho nenhuma contribuição nas músicas. Fiz um pedido desta vez e não atenderam, então… Não sou a pessoa para ajudar, mas… [risos]

VV: Gostaria de sugerir uma música. É da cantora baiana Ivete Sangalo e se chama “Quando a Chuva Passar”. [Explico a letra]. Acho que seria boa para as histórias.

JQ: Ok! [risos]

VV: Muito obrigada, Julia. Estou feliz de estar aqui com você, hoje. Muito obrigada por seu tempo.

JQ: Obrigada a você, por ter vindo, e à Bienal do Livro Bahia pelo convite, porque estou muito feliz de estar aqui.

Assista abaixo à entrevista completa:

 
 
 
 
 
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Painel com Julia Quinn na Bienal do Livro Bahia 2026

Durante o painel na Arena Farol, o principal palco do evento este ano, Julia Quinn falou sobre sua carreira, Bridgerton, e foi ovacionada pelo público presente ao firmar posicionamento contra a censura a livros nos Estados Unidos. Ela faz parte de um movimento contra ações que atacam bibliotecas e livrarias em seu país natal.

“Nunca, na história da humanidade, quem atacou os livros foi considerado herói”, disse. Em seguida, criticou os defensores da censura utilizando desculpas como “meu filho não pode ler isso”. Sobre esse ponto, Quinn declarou:

“Prestem mais atenção nos seus filhos. Se vocês não querem que seus filhos leiam algo, digam ‘não. Não quero meu filho lendo isso’. Mas você não pode ir a uma livraria e dizer o que as outras pessoas devem escolher para ler. Você pode ser super religioso e acreditar que algumas coisas estão erradas, mas não pode decidir isso por mim”.

A autora de 30 livros de romance histórico aproveitou para elogiar o evento literário na capital baiana, pedindo que valorizem o poder de escolha.

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Painel com Julia Quinn na Bienal do Livro Bahia 2026 | Foto: FilmArt