Chanel incorpora marca histórica da Place Vendôme para fortalecer estratégia de preservação do saber-fazer artesanal no mercado de luxo
A maison francesa Chanel anunciou a aquisição da Charvet, considerada a camisaria mais antiga do mundo e referência em alfaiataria artesanal. Fundada na década de 1830 e sediada na Place Vendôme, em Paris, a marca histórica passa a integrar o portfólio do grupo, que vem expandindo seus investimentos na salvaguarda de manufaturas tradicionais.
Os termos financeiros da transação não foram revelados pelas empresas. Segundo o comunicado oficial, a Charvet manterá a independência operacional, preservando sua identidade de marca, a estrutura de seu ateliê e os processos de produção artesanal que caracterizam suas coleções há quase dois séculos.
Tradição e clientela histórica
Reconhecida globalmente pela confecção de camisas sob medida, gravatas e pijamas, a Charvet construiu uma reputação que atravessa gerações. Ao longo de sua história, a camisaria atendeu a personalidades da política, das artes e do entretenimento, incluindo nomes como Winston Churchill, Charles de Gaulle, David Beckham e a própria estilista Coco Chanel.
A aproximação recente entre as duas marcas foi evidenciada há poucos meses, quando o diretor criativo da Chanel, Matthieu Blazy, desenvolveu uma colaboração com a camisaria. A peça exclusiva, comercializada em Paris por € 3,9 mil, teve suas unidades esgotadas logo após o lançamento no mercado.
A incorporação da Charvet alinha-se à estratégia de longo prazo da Chanel de investir em oficinas e fornecedores especializados em técnicas tradicionais da alta-costura e do vestuário de luxo. Nos últimos anos, a maison adquiriu empresas focadas na produção de cashmere, lingerie e moda masculina, garantindo maior controle sobre sua cadeia de suprimentos e assegurando a continuidade de competências raras da indústria.
Em pronunciamento sobre o negócio, Bruno Pavlovsky, presidente da divisão de moda da Chanel, destacou o posicionamento das marcas: “Agora, temos um nome, Chanel, para mulheres, e um nome para homens, Charvet”.
A iniciativa reflete um movimento mais amplo entre os principais conglomerados globais do setor de luxo, que buscam blindar suas cadeias produtivas e preservar o patrimônio cultural intangível por meio da aquisição de marcas e ateliês históricos.




