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Bailarina brasileira é homenageada em Nova York

Bailarina brasileira Bethania Nascimento é homenageada em reestreia de “O Pássaro de Fogo” em Nova York

A bailarina brasileira Bethania Nascimento será homenageada nesta quinta-feira (16), em Nova York, Estados Unidos (EUA), durante a reestreia do balé “O Pássaro de Fogo”, da Dance Theatre of Harlem. A artista foi uma das intérpretes do papel principal nos anos 2000 e retorna agora como convidada especial na abertura da nova temporada da companhia.

Ao longo de quatro décadas de história da montagem, Bethania foi uma das dez bailarinas a interpretar a personagem — sendo a única brasileira e estrangeira no papel. Em entrevista à Agência Brasil, ela destacou que sua trajetória foi construída com dedicação. “Não foi preciso uma pena mágica, mas esforço e resiliência para ocupar o posto”, afirmou.

Com o espetáculo, a bailarina percorreu mais de 20 países, incluindo Austrália, Nova Zelândia e China, e alcançou o posto de primeira bailarina da companhia — marco que contribuiu para ampliar a presença de mulheres negras brasileiras no balé clássico internacional.

Ao comentar a homenagem, Bethania ressaltou o simbolismo do reconhecimento. “Esse evento é uma forma de celebrar a nossa história, enquanto mulheres negras, há muita invisibilidade”, disse. Ao mesmo tempo, ela chama atenção para a falta de diversidade nos palcos brasileiros, questionando a predominância de bailarinas brancas em companhias tradicionais.

A artista também relembrou episódios de racismo enfrentados ao longo da carreira no Brasil, o que impactou sua trajetória profissional. Segundo ela, o reconhecimento internacional ajudou a abrir caminhos: “Eu passei por muito racismo, injustiça, não consegui seguir uma carreira no meu país”.

Após mais de duas décadas na companhia norte-americana, Bethania atua atualmente como treinadora e coreógrafa em grupos internacionais, além de se dedicar ao legado de sua mãe, a historiadora Maria Beatriz Nascimento.

Releitura

Na versão afrofuturista de “O Pássaro de Fogo”, a coreografia é assinada por John Taras, com cenários e figurinos do multiartista Geoffrey Holder, que conecta a obra original de Igor Stravinsky à diáspora africana.

Para Bethania, a releitura tem significado especial. “Essa é uma versão icônica para toda a comunidade da diáspora africana, tanto afro-americana como brasileira, uma vez que o território é parte importante de nossas narrativas”, afirmou.

A bailarina também associa a personagem à simbologia de resistência e renovação. Segundo ela, o pássaro representa “renascimento e resiliência”, elementos que dialogam com sua própria trajetória artística e pessoal.

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