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Você está se protegendo do sol? Especialistas explicam erro mais comum

Por que ainda erramos no básico, mesmo sabendo tanto sobre o sol?

Todos os anos, quando o verão se aproxima, surgem os mesmos alertas sobre cuidados com o sol. Ainda assim, a cena se repete: pessoas que “fizeram tudo certo” e
voltam para casa com a pele ardendo. Por quê? Conversamos com nossas dermatologistas, revisamos as orientações mais recentes e observamos um ponto em comum: a maior parte dos erros não está na falta de informação, mas na forma como lidamos com ela no dia a dia.

O “Dezembro Laranja”, campanha nacional de prevenção ao câncer de pele, abre espaço para uma reflexão necessária: será que entendemos, de fato, como funciona a proteção solar? A ideia de “passar protetor” virou um gesto automático, e isso é um problema. A maior parte das pessoas associa proteção solar ao ato de aplicar o produto. Mas, quando questionadas, poucas sabem responder: quanto é suficiente?; com que frequência deve ser reaplicado?; o que reduz a eficácia? Essas dúvidas parecem pequenas, mas fazem toda a diferença.

“O FPS da embalagem é real, mas depende de uma camada que quase ninguém passa”, comenta a dermatologista Maisa Pamponet.

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Ela sugere um método simples: usar uma quantidade equivalente à palma da mão para cada região do corpo. “É o mínimo necessário para que o filtro se comporte como promete.” A proteção começa na bolsa de praia, não na praia É comum imaginar que os cuidados comecem quando pisamos na areia, ao sentar para se ‘preparar’ para o dia de praia e o verão. Na prática, esses cuidados devem começar bem antes.

A nossa redação perguntou a Dr. Maisa Pamponet: o que realmente faz diferença na proteção solar, além do protetor? Segundo a dermatologista, “dois protetores: um cremoso para a aplicação inicial, que adere melhor, e um spray para reaplicações rápidas, especialmente quando a pele está úmida, que é quando a alternativa de reaplicar um protetor em creme não é bem-vinda, principalmente pelas circunstâncias de água e areia.”

  • Camisa UV reserva: o tecido adequado bloqueia a radiação que passa facilmente por roupas comuns — principalmente quando molhadas.
  • Canga clara: funciona como uma sombra improvisada em momentos de incidência mais forte.
  • Água: hidratação constante ajuda a manter a barreira da pele mais resistente.
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Entre as estratégias complementares às tradicionais, entra agora uma opção ainda pouco difundida: o “protetor solar em cápsula”. Segundo o site da empresa que vende o produto Heliocare (Cantabria Labs, 2025), as cápsulas “são clinicamente comprovadas para aumentar a proteção UV quando incorporadas a uma rotina de proteção solar”, oferecendo defesa extra contra raios UVA, UVB, luz visível e infra vermelho-A.

De acordo com a explicação da Cantabria Labs, a fórmula oral utiliza um extrato vegetal padronizado chamado Polypodium leucotomos (via tecnologia “ASPA-Fernblock”), que age de dentro para fora, reforçando as defesas antioxidantes da pele, protegendo células importantes para a imunidade cutânea, ajudando a reduzir inflamação, prevenir danos ao colágeno e elastina, e reparar lesões causadas pela radiação solar. Porém, o próprio fabricante destaca que as cápsulas não substituem o protetor solar tópico, elas devem ser usadas como complemento.

O olhar atento à pele também faz parte da proteção

Mesmo com todos os esforços, observar a pele continua sendo uma etapa essencial. A regra ABCDE (Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro aumentado e Evolução) é a ferramenta mais rápida e acessível para reconhecer alterações suspeitas. A pergunta que importa não é “essa pinta é perigosa?”, mas sim: “essa pinta mudou?” É essa mudança que determina a necessidade de avaliação dermatológica.

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Dermatologistas explicam que a maior parte das lesões perigosas passa despercebida não porque são difíceis de reconhecer, mas porque mudam devagar — e, ao mudarem devagar, deixam de parecer urgentes. Por isso, observar a pele com regularidade é mais eficiente do que tentar “diagnosticar” pelo formato. Vamos aos pontos da regra, agora com um olhar mais prático:

  • A – Assimetria: Se você dividir a pinta ao meio, as duas partes parecem diferentes? Essa assimetria não é comum em pintas comuns;
  • B – Bordas irregulares: Contornos que parecem recortados, desfiados ou “borrados” merecem atenção;
  • C – Cores variadas: Tons diferentes dentro da mesma lesão (marrom, preto, avermelhado ou esbranquiçado) são mais incomuns;
  • D – Diâmetro: Lesões maiores que 6 mm já exigem monitoramento mais atento. Mas tamanho, sozinho, não define risco;
  • E – Evolução: Esse é o ponto-chave. Evolução significa mudança: em tamanho, forma, cor, textura ou comportamento (coçar, sangrar, arder).

Segundo a Dra Maisa Pamponet, é justamente o “E” que mais força a consulta médica.

“O que nos preocupa não é a pinta que existe há anos, está estável e nunca incomodou. O que nos preocupa é a pinta que muda”, resume a especialista.

Essa percepção muda a abordagem do leitor: não se trata de procurar algo alarmante, mas de notar diferenças — porque diferenças contam histórias que a pele não verbaliza. Por isso, dermatologistas recomendam unanimamente um ritual simples e possível: observar a pele mensalmente, sempre com boa luz; fotografar pintas suspeitas para acompanhar a evolução; procurar avaliação dermatológica diante de qualquer alteração.

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Por que reforçar essa conversa agora, no verão?

O verão concentra o maior volume de exposição solar do ano — e, com ele, os maiores índices de queimaduras, lesões e atrasos no diagnóstico. É justamente nesta época, quando a rotina muda e a atenção diminui, que a conscientização se torna mais necessária. Dados disponíveis na SBD nos lembram que o câncer de pele tem alto índice de cura quando diagnosticado precocemente, muitas vezes com tratamentos simples e pouco invasivos.

Já o diagnóstico tardio traz consequências mais sérias: cirurgias maiores, risco aumentado de metástase (no caso do melanoma) e impacto significativo na qualidade de vida.

"O câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos desta doença no Brasil, sendo que o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra, a cada ano, cerca de 185 mil novos casos. O tipo mais comum, o câncer da pele não melanoma, tem letalidade baixa, porém seus números são muito altos. A doença é provocada pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Essas células se dispõem formando camadas e, de acordo com as que forem afetadas, são definidos os diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares, responsáveis por 177 mil novos casos da doença por ano. Mais raro e letal que os carcinomas, o melanoma é o tipo mais agressivo de câncer da pele e registra 8,4 mil casos anualmente."
— Sociedade Brasileira de Dermatologia

A diferença entre um caso e outro, na maioria das vezes, está no tempo. E é por isso que campanhas como o Dezembro Laranja insistem na prevenção e na observação regular da pele. O verão, então, deixa um recado claro: cuidar da pele agora evita problemas reais nos próximos meses. E transformar pequenas atitudes em hábito, como aplicar corretamente o protetor, reaplicar, usar barreiras físicas e monitorar mudanças, é o que faz essa diferença acontecer.

E, caso você perceba alguma alteração na pele, procure uma avaliação especializada. A dermatologista Dra. Maísa Pamponet está disponível para orientar, examinar e acompanhar quem deseja cuidar da pele com responsabilidade e segurança. Ela se coloca à disposição especialmente neste período, quando a atenção precisa ser redobrada.

Clínica Maisa Pamponet | Dermatologia Integrada
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Fotos: Divulgação/Freepik

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