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Viver Arte: Como arquitetos escolhem obras para transformar interiores

Escolher uma obra de arte para um ambiente vai muito além da estética. Para muitos arquitetos e designers de interiores, a seleção de quadros, fotografias e esculturas é um processo delicado — equilibrado entre razão e emoção, intuição e técnica. Afinal, como expressou o pintor Candido Portinari, “o alvo da minha pintura é o sentimento”.

Essa afirmação ajuda a entender por que tantos profissionais da área hesitam em justificar racionalmente certas escolhas artísticas. O universo da arte, com sua carga subjetiva, exige sensibilidade — tanto para interpretar o espaço quanto para compreender o gosto pessoal dos moradores.

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NJ+ – SERTÃO PORTINARI | Projeto da CASACOR São Paulo 2022

Curadoria com afeto e intenção

Para o arquiteto Murilo Lomas, que atua com obras de arte contemporâneas brasileiras, o ponto de partida é sempre o cliente. Ele busca entender preferências e estilos de vida desde o início do projeto, e muitas vezes os acompanha em visitas a galerias e exposições. Seu olhar apurado resulta em composições que unem nomes consagrados e novos talentos, em uma mistura que enriquece os ambientes com histórias visuais e afetivas.

“Os deixamos bem à vontade para conseguir captar o que gostam: o que chama a atenção é a geometria? São as paisagens? Ou as cores? Fazemos essa espécie de laboratório”, diz.

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Outros profissionais adotam estratégias semelhantes: quando os moradores não são colecionadores ou não possuem acervos próprios, sugerem peças específicas que dialoguem com a atmosfera do projeto.

A arte como extensão da arquitetura

Além do aspecto emocional, há questões práticas que precisam ser consideradas. A arquiteta Fernanda Marques, também reconhecida como colecionadora, lembra que é essencial pensar em iluminação, posicionamento e preservação das obras. “Onde essa peça vai ficar? Vai pegar sol? Como será a luz nesse ponto?” — são perguntas fundamentais no processo de curadoria.

Fernanda costuma indicar aos clientes obras de artistas que ela mesma admira e coleciona, como Vik Muniz, Ernesto Neto, Iole de Freitas, Leda Catunda e Abraham Palatnik — nomes que, segundo galeristas, têm forte presença em projetos contemporâneos por sua capacidade de criar impacto visual e sensorial.

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Quando arte e espaço se fundem

Alguns artistas parecem especialmente afinados com o universo da arquitetura. As esculturas de Artur Lescher, por exemplo, são apreciadas pela sua elegância formal e integração ao espaço. Já Lucia Koch se destaca por intervenções que trabalham com luz e transparência, elementos arquitetônicos por excelência. Daniel Senise, com suas pinturas marcadas pela memória e materialidade, e Laura Vinci, com esculturas que transformam a percepção sensorial dos ambientes, também estão entre os preferidos de quem projeta espaços com alma.

No fim das contas, a escolha de uma obra de arte é, ao mesmo tempo, um gesto estético, simbólico e emocional. É aquilo que torna um espaço verdadeiramente único — porque toca, conta histórias e revela quem habita aquele lugar.

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Fotos: Divulgação/CASACOR

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