Formatos nada convencionais, foco no conforto ou no conceito e, muitas vezes, cores e volumes chamativos: assim são os ugly shoes – ou “sapatos feios” –, uma tendência que divide opiniões, mas mantém um público fiel e apaixonado. Amados por uns, rejeitados por outros, esses modelos quebram padrões estéticos e conquistam espaço tanto nas ruas quanto nas passarelas.
Entre as marcas que ajudaram a popularizar o estilo estão Crocs, Balenciaga e Birkenstock, além de colaborações inusitadas como a da brasileira Melissa com a Diesel, que resultou no modelo Quantum Skeaker, com design paramétrico, optical art e pegada futurista.

A Crocs, por exemplo, tem feito de suas parcerias uma estratégia de marketing certeira, misturando cultura pop e moda de luxo. Entre os lançamentos estão colaborações com estilistas como Simone Rocha e Simon Cracker – este último apresentou versões grafitadas à mão na Semana de Moda Masculina de Milão primavera/verão 2026. O resultado se reflete nas cifras: no primeiro trimestre de 2025, as vendas internacionais subiram 8,9%.
No universo do luxo, a Balenciaga sob a direção criativa de Demna Gvasalia – prestes a assumir a Gucci – transformou o dad sneaker Triple S em um ícone do streetwear. Inspirado nos tênis esportivos dos anos 1980, o modelo robusto virou símbolo da estética “feia, porém cool”.


A New Balance, por sua vez, soube assumir a fama de “sapato feio” e transformá-la em vantagem. Seus sneakers confortáveis ganharam espaço tanto em looks casuais quanto em produções com alfaiataria. O modelo 1906L, criado com o designer japonês Junya Watanabe e apresentado na Semana de Moda de Paris 2024, mistura tênis e loafer, causando burburinho nas redes e na imprensa especializada – um crítico do New York Times chegou a descrevê-lo como “um meme antes de ser uma opção viável de calçado”.
Entre os casos mais emblemáticos de reviravolta está a Birkenstock. Antes vista como sinônimo de desleixo, a marca virou objeto de desejo fashion, especialmente com o sucesso do clog Boston, que passou do uso doméstico para compor produções de street style. Movimento semelhante ocorreu com as UGG boots, as famosas botas de camurça com forro de pelúcia.


O capítulo mais recente da febre dos ugly shoes vem com as tabis, calçados que separam o dedão dos outros dedos, lembrando cascos. Inspiradas nas tradicionais meias japonesas, foram popularizadas pela Maison Margiela em 1988 e hoje aparecem em versões que vão de sapatilhas e botas a tênis, como o YOSHI’S TABI, da marca brasileira Pace, lançada em junho deste ano.
Entre polêmicas e reinvenções, os ugly shoes seguem provocando um debate atemporal: na moda, o que é belo é mesmo uma questão de gosto – e, às vezes, de coragem para desafiar o óbvio.

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