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Rafa Silvério apresenta verão 2026 inspirado em Djavan

Luz, fluidez e poesia. Essas foram as direções que guiaram a nova coleção da Silvério, assinada pelo estilista Rafa Silvério, que escolheu um cenário emblemático para seu desfile de verão 2026: a icônica Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP), em São Paulo. O edifício modernista, projetado por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, tem um vão livre que se abre ao entorno – convite literal e simbólico à entrada de luz, gente e ideias.

É justamente essa luz, tanto como elemento físico quanto poético, que norteia a coleção. A referência vem do álbum “Luz”, lançado em 1982 por Djavan, artista que também inspira o tom lírico e elegante das criações. Para Rafa, esse trabalho marca uma fase de autoconhecimento e depuração estética.

Quero falar de uma moda negra não estereotipada, com muitos códigos, vertentes e bossa. A pele aparece mais e existe uma sensualidade que vem de uma observação pessoal. Olhar para Djavan é entender esse homem negro que compreendeu a própria linguagem. Estou nesse processo.

RAFAEL SILVÉRIO

Silhuetas suaves e alfaiataria com frescor

Na passarela, a coleção equilibra sensualidade e leveza: vestidos curtos com cortes enviesados surgem em tons pastel, com decotes profundos nas costas e no busto. Os longos seguem o mesmo caminho, mas com saias translúcidas, que conferem movimento e delicadeza.

A alfaiataria, construída em sarja, recebe toques inusitados. Um exemplo é o blazer com recorte em V nas costas, que rompe com a rigidez tradicional da peça. Coletes aparecem usados diretamente sobre a pele, reforçando a proposta de liberdade e experimentação. Já a clássica camisa branca ganha nova vida: com mangas bufantes, amarrações cruzadas no corpo e combinação com minissaias ou calças encurtadas, tanto para mulheres quanto para homens.


Streetwear em segundo plano, mas presente

Embora mais discreto nesta temporada, o streetwear, marca registrada de coleções anteriores, ainda aparece em calças jeans e moletons. Um dos agasalhos, por exemplo, traz o ideograma japonês da palavra “samurai”, em alusão à música de mesmo nome de Djavan. Já o tom vinho de um casaco evoca “Açaí”, outro clássico do cantor. Mas, além dessas citações pontuais, o que a coleção realmente capta é o espírito poético da obra de Djavan — mais sutileza do que literalidade.


Primeiro desfile independente

Depois de integrar o line-up oficial da São Paulo Fashion Week desde 2021, esta é a primeira vez que Rafa Silvério apresenta sua coleção de forma independente — uma decisão que reafirma seu desejo de liberdade criativa e maior controle sobre a narrativa da marca.

Fotos: Divulgação/Zé Takahashi

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