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Museu de Arte da Bahia celebra 107 anos de história e diálogo com o presente

O Museu de Arte da Bahia (MAB), espaço cultural mais antigo do estado, completa 107 anos nesta quarta-feira (23) em plena renovação. A data marca não apenas uma trajetória centenária de preservação da arte e da cultura, mas também uma virada de página: o museu entra em uma nova fase, com mudanças curatoriais, novos espaços expositivos e a inauguração da sala de audiovisual Curta MAB, dedicada à exibição de curtas-metragens, documentários e vídeos experimentais.

Sob gestão do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), o MAB abriga um acervo de cerca de 20 mil peças, entre pinturas, esculturas, mobiliário, porcelanas, fotografias, documentos e objetos históricos que contam parte da rica e diversa cultura baiana.

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De palácio aristocrático a museu mais acessível

Durante décadas, o museu manteve uma museografia que reproduzia o universo doméstico das elites baianas do século XIX. Com ambientes que lembravam residências aristocráticas e destaque para coleções como a do ex-governador Góes Calmon, o espaço provocava tanto fascínio quanto confusão sobre sua função museológica — muitas vezes associado a uma “casa antiga” em vez de um centro de arte.

“O MAB está se abrindo para novas frentes, furar bolhas, unindo o público que acompanhava o museu quando ele tinha uma vertente mais colonial e buscando trazer aqueles que antes não se sentiam representados”, diz Pola Ribeiro, diretor do Museu.

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A pandemia da Covid-19 foi um ponto de inflexão. Durante uma reforma estrutural no telhado, a exposição permanente precisou ser desmontada, criando espaço para uma revisão profunda da proposta institucional do museu. Com isso, o MAB passou a adotar um olhar mais contemporâneo e inclusivo, ampliando o discurso e priorizando vozes historicamente silenciadas — como as de artesãos, trabalhadores, artistas populares e grupos marginalizados.

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Exposições que conectam o museu à cidade

Entre os marcos dessa nova fase está a aclamada exposição sobre Carybé (Héctor Julio Paride Bernabó), artista argentino-brasileiro profundamente ligado à identidade cultural da Bahia. Pela primeira vez, a obra do artista — que faz parte do acervo do museu — foi exibida ao público em uma mostra que provocou forte identificação do público baiano com a representação visual de sua própria cultura.

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Outro destaque foi a exposição “Vitória, um Corredor de Histórias”, que trouxe para o centro da narrativa os trabalhadores do Corredor da Vitória, bairro onde o MAB está localizado. Por meio de depoimentos de seis profissionais que vivenciam a região diariamente, o projeto propôs uma reflexão sobre pertencimento, memória coletiva e a importância de reconhecer os protagonistas invisíveis na construção da cidade.

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A exposição foi acompanhada de um documentário, reforçando o compromisso do museu com o uso da linguagem audiovisual como ferramenta de diálogo. A nova sala Curta MAB nasce justamente com essa proposta: ser um espaço dinâmico que potencialize a experiência do visitante com diferentes formas de arte e expressão.

Fotos: Divulgação/ASCOM

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