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Mostra Sarah Maldoror em Salvador exibe 34 filmes do cinema anticolonial na Sala Walter da Silveira

Retrospectiva inédita celebra a trajetória da pioneira franco-guadalupense com sessões gratuitas entre 5 e 24 de março, reunindo obras próprias e títulos que dialogam com seu legado político e estético

A Mostra Sarah Maldoror em Salvador ocorre entre os dias 5 e 24 de março, trazendo uma retrospectiva inédita dedicada à cineasta franco-guadalupense que marcou a história do cinema anticolonial e das produções dirigidas por mulheres negras. A programação acontece na Sala Walter da Silveira, com entrada gratuita.

Considerada uma das primeiras mulheres negras a filmar no continente africano, Sarah Maldoror construiu uma obra profundamente conectada às lutas de libertação e às narrativas da diáspora africana. A Mostra Sarah Maldoror em Salvador reúne 34 filmes, entre curtas e longas-metragens, sendo 19 dirigidos por ela e outros 15 assinados por realizadores que dialogam estética ou politicamente com seu trabalho.

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Filme “Monangambé” (1968)

Obras fundamentais

A sessão de abertura da Mostra Sarah Maldoror em Salvador, no dia 5 de março, às 18h, apresenta “Monangambé” (1968), primeiro filme dirigido por Maldoror. Em seguida, às 19h, será exibida a versão restaurada de “Sambizanga” (1972), seu título mais reconhecido internacionalmente e premiado no Festival de Berlim. Baseado em texto de Luandino Vieira, o longa acompanha a trajetória de um homem preso e torturado sob suspeita de envolvimento com um movimento revolucionário, em meio ao contexto da luta anticolonial em Angola.

Diálogos e conexões históricas

A programação também contempla filmes nos quais Maldoror atuou como assistente, incluindo o clássico “A Batalha de Argel“, dirigido por Gillo Pontecorvo, além do documentário “Elas”, do cineasta argelino Ahmed Lallem, que será exibido pela primeira vez em Salvador.

Mostra Sarah Maldoror em Salvador celebra a trajetória da pioneira franco-guadalupense.
Filme “A Batalha de Argel”

Outro destaque são os documentários de Chris Marker, como “Sem sol” (1982) e o episódio 7 da série “A herança da coruja” (1989), que incorporam imagens captadas por Maldoror. A curadoria também incluiu títulos de afinidade estética e política, ampliando a leitura sobre o impacto de sua obra no cinema contemporâneo.

Pontes com o cinema negro latino-americano

Com curadoria de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a retrospectiva propõe um diálogo entre a filmografia de Maldoror e produções de cineastas negras da América Latina.

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Série “A Herança da Coruja” (1989)

Nesse contexto, a cineasta baiana Safira Moreira participa da programação dirigindo a leitura dramática do roteiro de “As garotinhas e a morte”, um dos mais de quarenta projetos não realizados por Maldoror. A mostra ainda exibe quatro curtas-metragens assinados por Safira, estabelecendo uma conexão direta entre gerações e territórios do cinema negro.

Ao reunir obras históricas e produções contemporâneas, a mostra reafirma Salvador como espaço de reflexão sobre memória, resistência e linguagem cinematográfica.

SERVIÇO
Mostra Sarah Maldoror em Salvador
Quando: 5 e 24 de março
Onde: Sala Walter da Silveira
Entrada Gratuita

Fotos: Divulgação

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