Josafa Neves a frente da instalacao Reverencia a Oxala Foto Sergio Amaral
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Mostra “Orixás”, de Josafá Neves, se despede do público no MAM

Entra nos últimos dias a exposição “Orixás”, do artista visual Josafá Neves, em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia. A visitação segue aberta até 18 de janeiro, ocupando a Capela do Solar do Unhão com uma proposta que articula arte, espiritualidade e ancestralidade afro-brasileira. A curadoria é assinada por Bené Fonteles.

Depois de circular por Brasília e São Paulo, a mostra chega à reta final na capital baiana com uma montagem pensada especificamente para o contexto cultural de Salvador — território onde as tradições de matriz africana se manifestam de forma intensa e cotidiana. Aberta ao público durante o Mês da Consciência Negra, a exposição reforça o entendimento da arte como espaço de memória, celebração, fé e resistência.

Um dos pontos centrais da exposição é a instalação “Iansã”, concebida especialmente para a arquitetura da capela. No ambiente, a escultura da orixá surge suspensa e envolta por cerca de 300 fios vermelhos, ornamentados com búzios, criando uma atmosfera que remete ao vento, ao raio e ao movimento — elementos simbólicos associados à divindade. A obra foi desenvolvida a partir de uma residência artística realizada por Josafá Neves em Angola, em 2023, e esculpida em madeira negra.

Outro núcleo de destaque é o conjunto “Cabeças de Orixás”, formado por esculturas em cerâmica que exploram cores, grafismos e signos ligados a diferentes divindades do panteão afro-brasileiro. As peças dialogam com o conceito de orí, da tradição iorubá, entendido como a “cabeça” enquanto espaço sagrado do axé — a energia vital que conecta o indivíduo ao plano espiritual.

Josafa Neves Foto de Bernardo Guerreiro
Josafá Neves | Foto: Bernardo Guerreiro

Ao ocupar um dos espaços mais simbólicos do MAM-BA, “Orixás” propõe uma experiência que ultrapassa o campo visual e convida o visitante a um contato sensível com saberes ancestrais, reafirmando a força da cultura afro-brasileira na construção da identidade baiana.

Foto Destacada: Sergio Amaral

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