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Lavagem do Bonfim: fé, resistência e celebração que moldam Salvador

Entre o sagrado e o profano, a maior festa popular da Bahia depois do Carnaval atravessa séculos reafirmando identidade, devoção e alegria

Nesta quinta-feira, 15 de janeiro, Salvador amanhece em estado de graça. A Lavagem do Bonfim, considerada a maior manifestação popular da Bahia após o Carnaval, toma as ruas da cidade e renova um pacto ancestral entre fé, cultura e resistência. Mais do que uma festa, trata-se de um ritual coletivo que atravessa gerações e ajuda a definir quem somos.

Uma promessa que veio do mar

A história começa em 1745, quando o capitão português Theodósio Rodrigues de Faria, sobrevivente de uma violenta tempestade, trouxe de Setúbal uma réplica da imagem do Senhor do Bonfim. Em gratidão pela vida preservada, prometeu difundir a devoção no Brasil. A igreja, erguida na Colina Sagrada, foi concluída em 1754, tornando-se um dos maiores símbolos da fé católica na Bahia.

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Cortejos do Bonfim | Foto: Reprodução/El Cabong

No século XVIII, a “lavagem” tinha função prática: na quinta-feira anterior à festa solene, devotos — em sua maioria pessoas escravizadas e libertas — limpavam a igreja para o domingo de celebração. Com o tempo, o gesto ganhou novos significados. A água passou a ser perfumada com ervas e flores, os cantos ecoaram, a faxina transformou-se em rito. E o que era trabalho virou celebração.

No fim do século XIX, a Igreja proibiu a lavagem dentro do templo, incomodada com os ritos de matriz africana. A resposta foi histórica: as escadarias passaram a ser lavadas. A rua tornou-se altar. No candomblé, o Senhor do Bonfim se sincretiza com Oxalá, orixá da criação e da paz. A água derramada nas escadas simboliza as Águas de Oxalá, rito de purificação e renovação. A exclusão deu lugar à afirmação pública de identidade.

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Lavagem do Bonfim | Foto: CrDrone

O Bonfim hoje

Atualmente, a Lavagem do Bonfim segue um roteiro carregado de símbolos. Um cortejo de cerca de 8 km parte da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, até a Colina Sagrada. Baianas vestidas de branco conduzem o caminho com potes de água de cheiro. A multidão também veste branco, pede paz, abre caminhos. No gradil da igreja, as fitinhas do Bonfim recebem três pedidos — tradição que atravessa o tempo. Desde 2013, a festa é reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Paralelamente à tradição religiosa, Salvador vive o lado profano da celebração com uma intensa programação de eventos privados, que reúne música, gastronomia e esporte em diferentes pontos da capital.

Confira os destaques:

Jau Uafro
Terminal Náutico de Salvador | 19h
Atrações: Jau, Bailinho de Quinta e Baile da Massa Real
Ingressos a partir de R$ 85 (Ticket Maker)

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Viva Bonfim
Bahia Marina | 15h
Atrações: Timbalada e Nattan
Ingressos a partir de R$ 240 (Ticket Maker)

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Bora pro Bonfim
Porto de Salvador, Comércio | 13h
Atrações: Samba Trator, Mumuzinho, Yan e Renan Oliveira
Ingressos a partir de R$ 60 (Meu Bilhete)

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Casa Verão Hidden
Rua Chile, nº 7 – Centro Histórico
Feijoada do Bonfim com Pierre Onassis
Ingressos: Site Oficial

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Feijoada do Sagratto 2026
Sagratto Café Bar, Colina Sagrada | a partir das 11h
Open food com buffet completo de feijoada
Open bar de água, refrigerante e cerveja
Atrações: Dupla Diskete (Axé das Antigas) e Eu Tô no Samba (Samba de Roda)
Ingresso: R$ 380 por pessoa

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Entre o som dos atabaques e o perfume das ervas, entre a fé que sobe a colina e a alegria que ocupa as ruas, a Lavagem do Bonfim reafirma, mais uma vez, a força simbólica de Salvador — uma cidade onde tradição e celebração caminham juntas.

Foto Destacada: Viver Vitória

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