Episódio abre as celebrações do mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.
De Feira de Santana, a cantora rapper Duquesa ganhou projeção internacional esta semana. Ela participou de um episódio do Tiny Desk Brasil, um dos formatos musicais mais icônico dos Estados Unidos que ganhou uma versão brasileira em outubro do ano passado.
Conhecido por trazer apresentações intimistas de grandes nomes da música, o projeto da rádio NPR (National Public Radio) conquistou fãs ao redor do mundo com shows gravados em um pequeno escritório, onde o foco é dar novas versões a hits dos artistas.
Para a artista, o convite do Tiny Desk Brasil chegou em um momento decisivo. “Eu estava sentindo falta de um desafio novo. Já fiz todos os festivais do Brasil. Precisava de um frio na barriga. Aí eu pensei: caramba, é isso. É banda, é instrumento novo, é pegar uma composição antiga e reinventar o que a gente já faz”, disse Duquesa.

Para a apresentação, ela idealizou uma banda composta exclusivamente por mulheres. Com a adição de bateria e trompete, instrumentos até então inéditos em seu show, a formação se completa com guitarra, baixo, teclados, DJ e backing vocals. A sintonia musical dialoga com a estética, que traz referências ao movimento Panteras Negras, nas boinas e nos figurinos de couro preto.
O set list percorre diferentes facetas da artista. “Dois Mundos” abre como um manifesto íntimo, com versos escritos aos 17 anos. A dobradinha “Big D!!!!” e “Big D!!!! Pt. 2” avança com métrica afiada. Em “Turma da Duq”, ela provoca. “Fuso” prepara o terreno para um bloco mais melódico. Em “Purple Rain” e “Só um Flerte”, ficam evidentes as referências de R&B e soul, que expandem sua identidade para além das rimas. “Voo 1360” encerra com a temperatura lá em cima.
“Escolhi temas que representam discursos de empoderamento, mas também um pedido de justiça, de igualdade. Depois fica mais romântico e, no final, a gente curte, né? Nem tudo é um tapa na cara”, disse.
Quem é Duquesa
Nascida como Jeysa Ribeiro, em Feira de Santana, na Bahia, Duquesa começou rimando em 2015 e, depois de se formar em Publicidade e Propaganda, decidiu se dedicar integralmente à música. Hoje, aos 25 anos, é um dos nomes mais relevantes da nova geração do rap.

Com dois álbuns na bagagem — Taurus Vol. 1 e Taurus Vol. 2 — construiu um repertório que passeia pelo rap e suas vertentes, além de flertar com house, R&B e pop, sempre com versos implacáveis sobre ambição, autoestima e poder feminino.
Crédito das fotos: @juliojustoo




