Celebrado em 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental tem como objetivo ampliar o debate sobre os cuidados com o equilíbrio emocional e a prevenção de transtornos que afetam o bem-estar. Neste ano, o tema ganha ainda mais relevância diante do aumento expressivo dos casos de estresse, ansiedade e burnout, especialmente entre os trabalhadores brasileiros.
A neurocientista e psicanalista Ana Chaves explica que o estresse, quando constante, provoca alterações significativas no funcionamento cerebral, comprometendo o sono, a memória, o equilíbrio emocional e a produtividade.
“O estresse agudo tem uma função importante, ele prepara o corpo para reagir diante de desafios. Mas quando se torna crônico, o organismo permanece em alerta por longos períodos, e isso causa um desgaste profundo no cérebro e no corpo”, afirma Ana.

De acordo com dados recentes do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, o maior número da série histórica e um crescimento de 68% em relação ao ano anterior. Entre as causas mais comuns estão a síndrome de burnout (28,6%), a ansiedade (27,4%) e a depressão (25,1%). O Brasil ocupa ainda a segunda posição no ranking mundial de casos de burnout, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Estudos internacionais demonstram que o estresse crônico provoca inflamação cerebral e reduz a eficiência das conexões entre os neurônios, interferindo diretamente na clareza mental e no rendimento cognitivo. Segundo Ana, esse é um dos motivos pelos quais pessoas sob estresse intenso relatam sensação de “mente cansada” ou “bloqueio mental”.
Ambiente de trabalho e burnout
O estresse laboral tem se tornado uma das principais causas de adoecimento mental. Entre 2014 e 2023, os afastamentos por burnout cresceram cerca de 1.000%, segundo a Agência Brasil. “Vivemos em uma cultura de produtividade excessiva, em que o descanso é visto como perda de tempo. Mas o cérebro precisa de pausas para se reorganizar. Sem descanso adequado, o sistema nervoso permanece em modo de defesa, e isso adoece”, explica Ana Chaves.
Entre os sinais de alerta mais comuns estão: fadiga constante, irritabilidade, insônia, alterações no apetite, dificuldade de concentração e isolamento social. Se esses sintomas persistirem por mais de duas semanas, a orientação é buscar ajuda profissional.

Intervenção e autocuidado
Reconhecer os sintomas precocemente é o primeiro passo para evitar o esgotamento.
“Conversar com alguém de confiança, reduzir o ritmo, estabelecer limites e priorizar o sono são atitudes fundamentais. Mas, em casos persistentes, é indispensável procurar acompanhamento psicológico ou médico”, reforça Ana.
A especialista também lembra que práticas simples de autocuidado, como atividade física, meditação, alimentação equilibrada e momentos de lazer, ajudam a modular a resposta do cérebro ao estresse e fortalecem os mecanismos de resiliência emocional.
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