O uso de unhas em gel, técnica amplamente popular nos salões de beleza por seu acabamento duradouro e brilho intenso, vem sendo associado a um número crescente de casos de alergia. Médicos dermatologistas alertam que os produtos utilizados na aplicação, especialmente os compostos químicos conhecidos como acrilatos, podem desencadear reações alérgicas de intensidade variável — e, em casos mais graves, provocar danos significativos à pele e às unhas.
Segundo especialistas, os acrilatos presentes em esmaltes e géis utilizados no processo têm alto poder sensibilizante. Quando o organismo é exposto de forma repetida ou inadequada a esses agentes, pode desenvolver respostas alérgicas, mesmo que não tenha apresentado reações nas aplicações anteriores. Os sintomas mais comuns incluem vermelhidão, coceira, descamação, sensação de ardência e inchaço ao redor das unhas. Em situações mais severas, pode ocorrer dor intensa e descolamento parcial ou total das unhas.

A forma de aplicação também influencia diretamente no risco. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) aponta que a realização do procedimento fora de ambientes profissionalizados, especialmente com o uso de kits caseiros sem supervisão técnica, aumenta consideravelmente a chance de alergias. Isso ocorre porque a polimerização incompleta — ou seja, a cura química inadequada do gel sob luz UV — pode deixar resíduos ativos que sensibilizam a pele com mais facilidade.
De acordo com a SBD, o aumento no número de diagnósticos motivou, em junho de 2025, a emissão de um comunicado oficial sobre os riscos da técnica. A entidade reforça que testes alérgicos devem ser conduzidos exclusivamente por médicos especialistas, como dermatologistas ou alergologistas, e nunca em ambiente de salão de beleza.
Na Europa e nos Estados Unidos, o alerta também tem ganhado visibilidade. Em 2023, a British Association of Dermatologists relatou que os casos de alergia a unhas em gel dobraram em cinco anos, destacando que a sensibilização pode prejudicar até procedimentos odontológicos ou ortopédicos, caso o paciente passe a reagir a produtos com composição semelhante.

Apesar das preocupações, a interrupção definitiva da técnica não é a única solução. Atualmente, o mercado já oferece produtos hipoalergênicos e géis com menor concentração de acrilatos, além de tecnologias de secagem mais eficientes que garantem uma cura mais completa e segura. No entanto, em casos de sintomas já identificados, a recomendação médica é suspender imediatamente o uso das unhas em gel e buscar avaliação profissional.
O tratamento pode incluir o uso de cremes com corticosteroides, anti-inflamatórios tópicos ou sistêmicos e, quando necessário, testes para identificação dos componentes específicos causadores da alergia.
Diante da popularização da técnica, especialistas reforçam a importância da informação, do uso consciente e da escolha de produtos e profissionais qualificados para minimizar os riscos associados ao procedimento.

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