Salvador surpreende constantemente, e um exemplo disso é o trabalho silencioso, cheio de fé e história, realizado pelas Irmãs Clarissas do Convento Santa Clara do Desterro. Segundo o diretor de turismo Gege Magalhães, que atua na cidade há quase três anos, ele foi surpreendido pelos produtos artesanais confeccionados pelas freiras, que ajudam a manter vivo o ofício artesanal da comunidade.
Fundado em 1677, o Convento foi o primeiro mosteiro feminino do Brasil, criado por religiosas Clarissas originárias de Évora, Portugal. O conjunto arquitetônico abriga a igreja, dois claustros, o colégio Santa Clara (ensino fundamental) e um projeto social, além de ser procurado para celebrações de casamento.

Além de seu valor histórico e arquitetônico — com destaque para o mirante, finalizado no século XVIII, e o parlatório ainda preservado — o convento é também referência na produção de licores artesanais. São cerca de 23 sabores, com elaboração completamente manual e infusão que varia entre oito meses e dois anos.
“Aqui nós trabalhamos com muito amor, né? Para esses sequilhos, os licores. Estamos aqui levando para frente, para ajudar na manutenção, para sobreviver também, não deixa de ser um pouco de caráter.”
IRMÃ LURDINHA
A lojinha Confeitaria São José, dentro do próprio convento, também oferece sequilhos e doces de frutas cristalizadas, como jenipapo. Os recursos obtidos são direcionados à manutenção do espaço e aos projetos sociais, que incluem oficinas de corte e costura, música e convivência para crianças e idosos.

Para quem busca em Salvador uma experiência que une religiosidade, patrimônio e sabores autênticos, a produção das freiras do Convento Santa Clara do Desterro oferece um caminho único — onde a fé impulsiona práticas milenares que resistem ao tempo e ainda alimentam o espírito e a história da cidade.

Fotos: Amanda Oliveira/Salvador da Bahia




