Primeiro museu do estado reúne mostras que unem tradição, memória e arte contemporânea
Por Giovanna Araujo
Fundado em 1918, o Museu de Arte da Bahia (MAB) se consolidou como uma das principais instituições culturais do estado, abrigando um acervo de cerca de 20 mil peças entre pinturas, esculturas e mobiliário. Mais do que guardar a memória, o museu vive um processo de revitalização que busca aproximar o público do patrimônio baiano por meio de exposições, oficinas e proposta de novas narrativas.
Nesse movimento, o MAB aposta em mostras que cruzam passado e presente, tradição e inovação. A cada sala, o visitante encontra obras que evocam a história do estado, mas também provocações que apontam para o futuro. Confira cinco exposições imperdíveis do museu:
Carybé e o Povo da Bahia
A mostra traz a visão única de Carybé, conhecido por seu traço ágil e dinâmico, sobre os costumes, paisagens e personagens da Bahia. Ao todo, são 227 desenhos originais em nanquim sobre papel, criados para ilustrar seis dos dez cadernos da Coleção Recôncavo, publicada em 1951.
Lançada em 2024, a exposição integra esforços do MAB para revisitar e reapresentar seu patrimônio gráfico. No percurso, o visitante encontra composições que dialogam com objetos do acervo do museu, numa curadoria que privilegia contexto histórico e conexão social. Ver Carybé no MAB é acompanhar a relação do artista argentino com Salvador e como o encontro contribuiu para noções acerca da baianidade.

Xiloteca – Riquezas do Brasil
A Xiloteca ‘Riquezas do Brasil’ apresenta uma coleção de amostras de madeiras do território brasileiro. Reunida em dois armários, o acervo foi organizado pelo médico Antônio Berenguer, baiano nascido em Santo Amaro da Purificação, em 1904. Seu fascínio começou por convites de amigos que o chamavam para visitar fazendas da região. Com o tempo, ao longo da sua vida, reuniu cerca de 600 tipos de madeiras brasileiras, dando-lhes o formato de pequenos livros, como em uma biblioteca.
Para o visitante, a xiloteca oferece uma leitura sensorial e científica da história. A coleção ainda serve como base para projetos educativos e pesquisas no próprio museu.

Fatumbi
Dedicada a Pierre Verger, ‘Fatumbi’ reúne registros fotográficos e documentos que mapeiam a relação do fotógrafo e etnólogo francês com a África e com a Bahia, articulando memória, religiosidade e processos visuais.
A mostra marca o reencontro do público baiano com a obra do artista, que viveu por mais de 50 anos na Bahia. A exposição ainda traz elementos contemporâneos com a sala especial ‘FatumbIA’, que apresenta 16 obras digitais criadas com o uso de inteligência artificial pelo artista visual beninense Emo de Medeiros, que assina a curadoria ao lado de Alex Baradel, presidente da Fundação Pierre Verger.

Bancos Indígenas do Brasil: Rituais
Até o dia 12 de outubro, a mostra ‘Bancos Indígenas do Brasil: Rituais apresenta 100 bancos esculpidos por representantes de 39 etnias brasileiras. As peças são vestígios de práticas rituais, linguagens estéticas e saberes específicos que refletem a diversidade das tradições indígenas.
Alguns bancos são peças individuais, como os utilizados por caciques e pajé, enquanto outros são coletivos, a exemplo dos bancos de até seis metros de comprimento criados pelos Galibi Marworno para o ritual do Turé, capazes de reunir diversas pessoas em celebrações xamânicas.
Assim, a exposição convida o público a ampliar o entendimento da arte dos povos originários para além da função utilitária, valorizando seus aspectos simbólicos, sociais e espirituais. Cada banco exposto é sinônimo de ancestralidade e reflete aspectos do cotidiano e da cosmologia de diferentes comunidades indígenas.

Oficina e mostra de argilas
Projetos como a oficina ‘Modelagem em Argila’ integram iniciativas que visam estabelecer o Museu de Arte da Bahia como um espaço que conta a história em movimento. A iniciativa gratuita, com aulas ministradas pelo artista Cícero Nazaré, promove o fazer artístico para visitantes do museu.
Essas iniciativas funcionam em duas frentes: ampliam o acesso ao museu e materializam trajetórias coletivas ao inserir trabalhos comunitários nas rotinas expositivas. Para quem visita o MAB, a experiência passa a ser tanto observacional quanto prática, um recurso importante para tornar o museu mais próximo e representativo.
SERVIÇO
Museu de Arte da Bahia (MAB)
Onde: Av. Sete de Setembro, 2340
Horários: Terça a domingo, das 10h às 18h
*Verifique a programação atualizada do museu e
horários especiais nas redes e no site do IPAC.
Fotos: Divulgação




